Todas aquelas garotinhas nas arquibancadas esperando pelo seu amado, pelo seu vencedor, pelo seu executivo do mundo das corporações. Que tristeza. Pássaros, assustados, batem em revoada.
Ansiava por estar bêbada, maluca, derretida, queria estar em qualquer lugar, menos ali.Cada homem que comete um erro é retirado da fila. Eu não tenho vontade de vencer. Eu sei que não iria vencer. Quero dar o fora daqui. Estou cansada e de saco cheio. Quero relaxar. Preciso relaxar.
As garotas pareciam legais a certa distância, mas ao se aproximar e ouvir a futilidade escorrendo de suas bocas como baba cósmica, era surpreendente a burrice encrustrada. Sinto vontade de cavar um buraco ao sopé de uma colina e me entrincheirar como uma metralhadora.
Todo resto ia furando minha carne, e furando, e furando, arrancando seus pedaços, e nada tem o menor interesse, nada! As pessoas são tão limitadas, tão cuidadosas, tão iguais... E o pior de tudo é que eu tenho que viver o resto da minha vida com esses fodidos. Todos eles tem cus e orgãos sexuais e bocas e sovacos. Cagavam e tagarelavam, todos são tão inertes quanto esterco de cavalo.
Quero alguma coisa fodida, alguma coisa flamejante. Só se vive uma vez. E eu estou aqui a observar toda essa merda de humanidade. Observo calada, calada, observo, sem a mínima perspectiva, com uma raiva infernal, tão infernal que derrete minhas malditas juntas.
Quero relaxar. Preciso relaxar.
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